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Repórter Mirim, por Pedro Viana
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Publicada/atualizada por Pedro Viana em 17/06/2012, às 08:34 | 4 comentários
O que faz um livro ser marcante?
A emoção? A personagem? O impacto? Ou a entrega?

Pense em um livro – qualquer um.

Pronto? Agora eu te pergunto: por que você pensou nesse livro? Um motivo especial? Um fator incomum? Um apego sentimental? Antes que sua mente tamborile alguma resposta, quero adiantar minha teoria: o livro que você pensou foi, ou ainda é marcante para você!

Mas o X da questão é: o que faz um livro ser marcante?

Ser lembrado pelo resto de sua vida… Subir ao topo de sua lista de favoritos… Ser indicado para todos seus amigos e amigas como “o melhor livro de todos os tempos”… Afinal de contas, que diabos têm um livro para ser isso tudo?

Tenho algumas teorias. Logicamente, não são únicas e exclusivas; detentoras da verdade. Você poder ter as suas (e se tiver, não se esqueça de me contar nos comentários). Para cada uma de minhas teorias, prometo citar um exemplo pessoal.

A emoção?

A menos que você seja um homem de lata sem coração, você sente algum tipo de emoção. Alegria, tristeza, paixão, ódio, indignação… Enfim, histórias despertam emoções. E essas emoções, quando levadas a níveis astronômicos, fazem livros serem marcantes. Na maioria das vezes, eu não consigo me emocionar com histórias tristes – por isso eu até pensei em ser um homem de lata por um tempo. No entanto, meu pensamento provou ser errado com a história mais triste que eu já li na vida: A menina que roubava livros, de Marcos Zusak. Não sei se foi tristeza ou indignação depois de ler o final desse livro, mas devo confessar: Foi muito, muito marcante. Quem ler, saberá do que eu estou falando. Pobre Liesel…


A personagem?

Criar personagens cativantes é um dos desafios mais difíceis para escritores. Mesmo aquele que não tenha nenhum defeito pode ganhar o adjetivo de antipático e ser odiado por todos os leitores. Quando, porém, os leitores se identificam com a personagem de um livro, ela por si só faz com que a obra seja marcante. Meu exemplo pessoal, compartilhado com o de muitos fãs, é nada mais nada menos que o melhor professor de todos, Severo Snape. Como disse na matéria passada, não pude me conectar a saga Harry Potter completamente, mas ainda assim adoro o Snape – mesmo ele tendo matado meu segundo personagem favorito – e acho a história dele espetacular. Ele foi um dos fatores que fez os livros de Harry Potter serem marcantes para mim.

 

O impacto?

Sabe quando aquela cena fica se repetindo em sua mente mesmo depois de você tê-la lido? Isso é o que eu considero impacto. Um choque tão grande (de incredulidade ou euforia) que muitas vezes abrimos o livro somente para reler determinado trecho. A cena permanece tanto em nossa cabeça que o livro torna-se marcante. Meus maiores exemplos são o Casamento Vermelho (A Tormenta de Espadas) e a morte de Dumbledore (Harry Potter e O Enigma do Príncipe) – mesmo esse não sendo surpresa para mim quando o li. No entanto, para não repetir livros, vou citar outro exemplo de cenas impactantes (e marcantes) para mim: as despedidas de Nárnia. Eu sempre me sentia incrédulo com o adeus ao mundo no final da maioria dos livros.

 

Ou a entrega?

Já discuti o que é a entrega na matéria “Saga: uma segunda vida”. Resumidamente, seria “entrar” em uma história; sentir como se ela fosse real. A entrega, na minha opinião, é o fator que mais pode tornar um livro marcante. Até porque, de uma maneira geral, ela envolve doses de emoção, impacto e apego com personagens. Como não é mais segredo para ninguém, meu exemplo pessoal (e até agora o livro mais marcante que já li) é A Tormenta de Espadas, terceiro livro d’As Crônicas de Gelo e Fogo. Cenas impactantes, personagens cativantes, emoções a níveis astronômicos. Enfim, para sempre me lembrarei desse livro.
E para você, o que faz um livro ser marcante? Quais foram os livros mais marcantes que você leu? Você indica algum?

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Pedro Viana é estudante, escritor e devorador de livros nas horas vagas. Tem quinze anos segundo este velho ditador que todos chamam de tempo. Mantem os blogs Contos da Nova Geração, onde posta seus contos, e A Estante Literária, uma parceria com a autora Bia Machado, onde posta resenhas. Atualmente, escreve para antologias, para seus blogs, para a Revista Fantástica e para sua gaveta.

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Comentários (4) | Comente:

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Victor comentou em 17/06/2012, às 13:07:

Concordo bastante com as suas teorias! Pessoalmente, adicionaria mais uma: a própria narração. Tem livros que são tão agradáveis na narração que os outros elementos chegam a ficar meio de lado, você lê porque é gostoso ler. Tipo os livros da Diana Wynne Jones, Monteiro Lobato e Terry Pratchett. Muito bacana o artigo, parabéns!

thays comentou em 17/06/2012, às 15:13:

Matéria muito boa.Você escreve muito bem e consegue passar a mensagem com precisão. Leio todos os seus artigos e adoro seu blog “A estante literária”. Mas gostaria de saber, na sua opinião, o que torna um livro bom, não necessariamente marcante, mas bom? E por que alguns livros são bons o bastante para ganharem o nobel ou pulitzer e outros não?

Pedro Viana comentou em 17/06/2012, às 15:52:

Olá thays, fico muito feliz em saber que você está gostando dos artigos e do blog. Respondendo sua pergunta, acho que para um livro ser bom, é necessário uma série de fatores, como narração, voz, personagens, entrega, qualidade, etc. Tantos que precisaria de um outro artigo para listá-los, rs. Mas acredito que, independentemente dos fatores que o qualificam, o que torna um livro bom é o leitor que o lê. Um livro que eu acho bom, você pode achar horrível, e vice-versa. Alguns exemplos: Crepúsculo, eu odeio, mas o que se diz das milhões de pessoas que gostaram e leram a coleção? Com certeza, eles acharam alguma coisa boa que eu não vi nos livros. (rs) Eu já li alguns trechos e não gostei de Leite Derramado, mas o que se diz do Prêmio Jabuti que ganhou em 2010? Os jurados afirmam que ele é bom, mas eu não. Assim a lista não para. Alguns livros, por terem vários fatores que cativam os leitores (como Harry Potter, por exemplo) acabam conseguindo atingir um grande público, mas basta sair procurando que logo você achará alguém que odeie a série de J. K. Rowling. A questão central seria “o porquê” disso acontecer, mas para descobrir seria necessário estudar os gostos e paixões de cada leitor da humanidade. Enfim, como lhe disse, o que torna um livro bom é o leitor que o lê. Entregue um guia político para uma criança e um conto de fadas para um deputado que eles odiarão, mas troque os livros e veja se não gostarão. Grande abraço!

Vanessa de Oliveira comentou em 17/06/2012, às 21:29:

Concordo, Pedro! A Entrega, o personagem cativante, a emoção, o impacto. Tudo isso faz um livro marcante, principalmente quando você acabe de ler o livro e fica repensando vários dias sobre a história. Eu indico o livro A Primeira Regra do Mago, apesar de ser uma obra pouco famosa no Brasil, ela contém todos esses elementos marcantes!

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