Sua revista online sobre Literatura, Cultura e Entretenimento
“O mais difícil não é escrever muito: é dizer tudo, escrevendo pouco”  (Julio Dantas)
REPORTAGENS
Ver todas
Publicada/atualizada por Luiz Ehlers em 25/07/2012, às 22:36 | 5 comentários
Sobre o ofício de escrever
Thiago Vieira, sobre aqueles que escrevem.


 

O homem é definido como um ser que evolui, como o animal é imaturo por excelência.

- Friedrich Nietzsche

 

Saudações Literárias à todos(as) que frequentam a Fantástica! Há muito tempo tenho vontade de tecer algumas linhas a respeito do ofício de escrever, contando um pouco da minha trajetória, mas sem ficar naquela coisa melosa e com o ‘chatismo’ autobiográfico, e como acabei vindo parar aqui.

Deste modo, nada mais justo do que falar um pouco sobre o ato da escrita, num contexto mais amplo e aquilo que acredito como bons parâmetros ou rumos a serem tomados àquela pessoa que pretende trilhar os caminhos literários. De antemão, é preciso dizer que, como qualquer outro caminho, ele tem seus percalços, suas ‘pedras no caminho’.

 

No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra

no meio do caminho tinha uma pedra.

 

Nunca me esquecerei desse acontecimento

na vida de minhas retinas tão fatigadas.

Nunca me esquecerei que no meio do caminho

tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

no meio do caminho tinha uma pedra.

 

  – Carlos Drummond de Andrade

 Apesar deste caminho nada fácil, não gosto de fazer um texto plenamente pessimista sobre o ofício – ou profissão, se preferirem. Recentemente li um texto muito interessante intitulado ‘Carta a um jovem escritor’. Embora a ótima construção e a veracidade de muitas coisas ali ditas, confesso que não pude deixar de me incomodar com o tom extremamente pessimista, como se escrever ou ser reconhecido por isto fosse algo de outro mundo. Não é. Desde que você leve isto a sério.

E assim damos um looping de volta a minha trajetória e os rumos literários. Acredito que todos nós, aspirantes a escritores, chegamos numa determinada fase – normalmente a adolescência ou um pouco antes – escrevendo bastante ou tendo o desejo de externar, de alguma forma, os nossos sentimentos e ideias. É basicamente assim que nasce todo potencial escritor. O que vai diferir um escritor ‘de verdade’ dos demais é apenas a forma como você enxerga o seu texto. Até onde você quer chegar com ele. E o caminho a ser trilhado.

 Tudo que fazemos na vida é preciso treino. Diversas vezes, em diversos momentos, escutamos histórias de pessoas que precisaram treinar arduamente para poder chegar aonde chegaram. Coisa como o Oscar Schmidt que treinava seus lances-livres exaustivamente após o treino de sua equipe de basquete. E no meio artístico isso se reflete na pintura, na música, no desenho. É preciso treinar – exaustivamente – para se alcançar um resultado satisfatório. Isto faz parte da evolução. Na escrita encontramos uma coisa peculiar, pois para “treiná-la” não basta apenas exercitar a escrita, mas principalmente a leitura.

E é neste ponto que muitos dos “novos escritores” pecam. Ler é o primeiro passo para toda pessoa que aspira seu espaço no mundo literário. E ao contrário dos “Escritores Perfeitos”, do meu amigo Rainier Morilla, é preciso se contaminar – ou beber na fonte, se preferirem um jargão mais rebuscado – de autores e estilos para poder aprender. E foi justamente isto que fiz. No começo do ano passado, quando comecei a vislumbrar a literatura como um filão e uma oportunidade de externar uma série de ideias caóticas que tinha na cabeça, ataquei a biblioteca do meu trabalho. Comecei a ler de dois a três livros por mês e comecei pelo mais simples – o que também é outra dica valiosa.

Contos. Foram eles a minha primeira opção, por ser um dos estilos mais simples – mas nem por isso são piores ou melhores – de produção literárias. Histórias curtas, simples, personagens bem desenhados, mas não necessariamente bem explicados. Através da leitura de ótimos contistas como Guy de Maupassant, Luis Fernando Veríssimo, Sir Arthur Conan Doyle e Machado de Assis comecei a me inteirar sobre este universo. Ou seja, muito antes de escrever tive de ler muito. E também comecei a freqüentar ambientes literários na internet.

A profusão virtual possibilita uma experiência única. A troca de comentários, opiniões, ideias e textos possibilita um crescimento impossível há anos atrás. É possível trocar tweets com aquele seu autor favorito – caso ele ainda esteja vivo, né? –, ler os textos dos seus amigos e passar os seus. Enfim, as possibilidades são infinitas. E, neste ponto, O Nerd Escritor foi uma ótima casa para isto.

Sendo assim, a escrita foi se consolidando a partir desta troca, mas não numa troca pedante e repleta de interesses do tipo “leia o meu, que eu leio o seu”, mas numa espontânea maneira de crescimento mútuo. Escutar as críticas de outrem é um sinal não só de humildade, mas de maturidade literária. Não é possível se vencer sempre. E você receberá diversos “nãos” ao longo da sua trajetória. Mas, como em qualquer outro meio, é preciso se agarrar aos “sims” com todas as forças e fazer com que dê certo.

Quanto mais um homem se aproxima de suas metas, tanto mais crescem as dificuldades.

- Johann Goethe


Encerro por aqui este pequeno ensaio. Em breve esmiúço um pouco mais sobre elementos mais específicos da trajetória literária e faço um convite à todos que comentem sobre o tema, exponham embaixo suas opiniões, pois elas são muito importantes!

 

Aquele abraço!

______________________________________________________________

Veja também:

 

Jornada de um Escritor Cap. 06 – O Retorno à Escrita
Acompanhe as dúvidas do jovem escritor Luiz Dreamhope e o apoio de autores mais experientes.

Dicas Fantásticas 2.6 com Bianca Briones & Mari Trevisan
Confira esse debate em áudio sobre téncias de escrita, que reúne um autor experiente e um iniciante.

Nosso Livro do Mês – O Nome do Vento de Patrick Rothfuss
Simone O. Marques indica essa obra que é recheada de personagens interessantes.


Comentários (5) | Comente:

Nome:
Email:
Site:
Comentário:

Aldemir Alves comentou em 26/07/2012, às 18:18:

Thiago, muito bom o seu post. Bom não, ótimo!

Penso e, semeio todos os dias aos amigos autores, que primeiro, antes de um editor ou leitor acreditar no seu potencial, você precisa se valorizar.
**
O amadurecimento surge com o tempo, tanto na área literária, quanto em qualquer outra área que envolva cultura. Precisamos de amadurecimento e isso so acontece com treinamento e dedicação.
**
A minha história na literatura surgiu por acaso também, confesso que já lia desde a época da serie vaga – lume, mas escrever de verdade, só me interessou depois de um post meu no Orkut. Naquela época, eu tinha um Pálio 98 com muitos problemas de aquecimento, – mecânica ruim – Procurei a comunidade e comecei a frequentar, percebi que existiam muitas pessoas com aquele mesmo problema: Então pensei em fazer um post encinando passo – a –passo como resolver.
**
Até que deu certo, recebi mais de vinte comentários de um dia para o outro, quase todos bons, entre os negativos a maioria era: “caraka, esse cara mata o português desse jeito”. Mas em meio aqueles comentários negativos, um deles foi muito positivo, o leitor conseguiu resolver o problema dele e foi justamente depois de ler as minhas informaçõs.
**
Ele me defendeu dizendo: “Gente, vamos parar com isso! O cara nos passa informaçõs importantes e vocês ficam criticando o português dele?” Depois daquele dia, persebi que escrever é arte, é prazeroso e causa vários sentimentos nas pessoas. Senti amor pela literatura e escrita; então a partir daquele dia comecei a postar em tudo o que era lugar, até que comecei a criar história e publica-las no Club do autor.
**
Outra coisa me fez amar a arte da escrita:
Depois que comecei a escrever, aprendi a falar melhor, interpretar melhor, ESCREVER MELHOR. Na própria televisão, onde autores e jornalistas são pessoas muito intelectuais, consigo absorver com mais facilidade as suas reportagens, também palavras desifraveis que às vezes não entendemos. (É isso ai, a literatura nos encina muita coisa, basta abrirmos a mente para ela)…

Mauricio C. Dovanci comentou em 26/07/2012, às 18:32:

Não tenho muito a dizer, se não concordar; meu caríssimo amigo (se assim me autoriza chamá-lo), gostaria de parabenizá-lo não somente pelo post, mas também pelo seus pensamentos, que nem por um centímetro se distanciaram dos meus, para ser mais franco, queria dizer que me identifiquei muito com sua forma de pensar, toda a sua ideia sobre o mundo da escrita e como ler é basicamente essencial para um escritor. Venho a quatro meses, se não me falha a memória, escrevendo para o site Roda de Escritores, no qual publico muitos poemas e alguns contos, atualmente trabalho arduamente em uma obra na qual pretendo publicá-la como meu primeiro trabalho. Tenho planos de como isso irá acontecer, mas no momento apenas escrevo, levo para onde vou, penso onde estou, criou onde que quer que eu vá. Carrego na minha vida, no meu dia-a-dia, histórias tomam rumos em minha mente, e cada acontecimento é motivo para um conto. Poucos escrevo. E é assim, você namora a escrita, ela o pode em casamento, basta aceitar e traí-la muitas vezes com sua amante, a leitura.

Bravo Thiago Vieira!

Mauricio C. Dovanci comentou em 26/07/2012, às 18:43:

PS: Ainda tenho 17 anos e moro no interior de SP, Matão, se conhecesse a terrinha aqui gostaria que mandasse um abraço… kkkkkk…. É uma pequena cidade, uma verdadeira jornada para chegar onde acredito que um dia estarei. Pretendo estudar Direito e sempre estar próximo a literatura. Isso mantém o foco, sem contar que gosto muito da área.

“O sonho não é uma ilusão, gerada e construída pelo nosso imaginário, é sim um forte plano a ser seguido, traços, esboços e objetivos a serem cumpridos, então para aqueles que não acreditam, faleçam diante de suas frustrações.”
Maurício C. Dovanci

Thiago Vieira comentou em 02/08/2012, às 14:38:

Saudações, moçada!

Desculpem a demora, mas queria agradecer à todos os comentários (dessa vez sem muitas polêmicas!). Acho que tudo que vocês disseram realmente tem fundamento e aprecio que concordem com o meu ponto de vista. E é imprescindível o impacto da leitura (e da escrita) na construção de nosso caráter e nosso amadurecimento enquanto pessoa.

E, quando ao sonho de ser escritor, acredito que o caminho é esse que o Maurício colocou levar com seriedade (mas também leveza) a trilha para se conquistar seu espaço. É preciso ter paciência e, sobretudo, tempo. Tempo para ler, para escrever, para estudar, produzir. Não adiante se afobar, tudo tem seu tempo certo.

João Marcelo comentou em 09/10/2012, às 11:32:

Gosto muito de ler desde a infância. Sempre gostei de escrever mas, não prático tanto quanto deveria..mais por frustração.

Escrevo por prazer. Mas, me preocupo excessivamente com a qualidade do texto. coesão, coerência, pontuação…blá,blá,blá…

Lembro quando aos 14 eu escrevia assíduamente cartas pra minha primeira namorada. Eu já me preocupavacom a qualidade do texto, mas o sentimento e a vontade de me expressar eram mais fortes.

Uma dia desses, tentei escrever um conto. Fiz uma parte, passei o dia todo revisando e ficou uma porcaria!

Escrever por amor, mas me expresso melhorr quando tenho um objetivo claro e definido ou uma necessidadade. Me parece que só o prazer não basta pra eu escrever bem.

Livraria Fantástica | Papo Fantástica | EM FOCO | REPORTAGENS | LANÇAMENTOS | MATÉRIA DE CAPA | RADAR | NOSSO LIVRO DO MÊS | Livro Tributo | Espaço Fantástica | Parceiros
72dpis Web Design