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Publicada/atualizada por Luiz Ehlers em 04/03/2014, às 22:43 | 2 comentários
A sensação de replay nas histórias
Uma pequena reflexão sobre aquele sentimento incômodo de “já vi isso em algum lugar”

"Replay" buttonQuem nunca passou por aquela sensação de ver um filme “inédito” ou mesmo um livro novo e pensar: “Já li/vi isso em algum local?”. Essa sensação de replay é bem mais comum do que parece e mostra que a criação normalmente bebe da mesma fonte e tende a ser cíclica.

Essa percepção é muito comum nos leitores mais vorazes ou mesmo nos cinéfilos de plantão e é um claro sinal que estamos envelhecendo ou mesmo lendo/assistindo  demais. Mesmo que viemos de um país onde a leitura é tão pequena, esse fenômeno de sensação de replay acontece aqui sim.  O excesso de se conhecer novas histórias aumenta essa sensação incômoda de prever o destino ou os acontecimentos que envolvem o personagem. Quanto mais lemos e amadurecemos, mais percebemos que as histórias (pelo menos a maioria) seguem uma certa lógica.

“Vingança pela morte dos pais”; “Amores mal resolvidos que criam vilões”; “Casais apaixonados que as família se odeiam” ou mesmo “o escolhido” são alguns dos elementos mais comuns que se repetem em grande parte das histórias. Um dos primeiros sintomas dessa sensação de replay é desanimar com uma sinopse de um livro ou mesmo o trailer de um filme, especialmente quando eles são de gêneros que você sempre adorou.

A Literatura Fantástica, por exemplo, embora seja ampla e cheia de possibilidades, é uma das formas que apresenta mais histórias com desenrolar semelhante. A luta do bem contra o mal faz-se quase essencial em muitas narrativas e acaba desgastando muitas propostas boas. A criação de personagens também se mostra muitas vezes semelhantes. Muitas histórias acabam sempre focando em tipos bem conhecidos. Há normalmente personagem que representa o um mal extremo. Em contrapartida, há um bom extremo e aquele adorado pelos fãs que insiste em ficar em cima do muro.

Contudo, é importante destacar que nem sempre a percepção desses elementos fazem da história algo rudeja-vuim. Muitas vezes o forte de uma boa criação não são os elementos em si, mas como a trama se desenrola. Nem sempre usar esses clichês torna a história menor ou desagradável. Existem histórias fantásticas que utilizam os mais típicos elementos e ainda assim surpreendem muito.

Game of Thrones é um exemplo de história que tentou quebrar essa lógica. É uma iniciativa declarada do autor justamente quebrar com esse esperado ou mesmo com a proteção que os supostos protagonistas têm nas histórias. A proposta de Martin, que deu tão certo, foi justamente criar um ambiente onde simplesmente tudo pode acontecer. Dificilmente se consegue prever algum acontecimento no mundo de Game of Thrones e talvez seja justamente isso que intrigue e fascine os leitores.

Mas afinal, será que tem como escapar dessa sensação? Possivelmente não há como e a única e talvez a melhor forma é arriscar. Apostar em novos livros e propostas diferentes do nosso “gosto atual” pode ser uma boa maneira de escapar dessa sensação.

Pelo jeito, quanto mais conhecermos histórias, mais complicado de sermos surpreendidos será. Isso faz parte da maturidade e nem sempre é algo ruim, apenas um alerta de que as criações precisam serem reinventadas, mas nem sempre são. Assim, novas ideias são sempre bem vindas e necessárias, tanto para os leitores mais novos quanto os mais velhos. O novo sempre teve e sempre terá espaço dentro dos sedentos por histórias. A questão é outra: será que temos autores com essa audácia? Que venham as novidades.

Comentários (2) | Comente:

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Carlos Jorge comentou em 09/04/2014, às 11:27:

O que mais temos na tv e cinema atualmente são exemplos de fórmulas clichês. Alguns exemplos; Once Upon a Time, Grimm, Beauty & the Beast e outros. Lendo o texto me veio a mente a trilogia Anjos da Noite, na minha opinião é um ótimo exemplo de um clichê que deu certo. A história foi muito bem contada e conseguiu fugir do estereótipo clássico para lobos e vampiros.
Isso é animador porque sempre que temos uma ideia, de um jeito ou outro esbarramos nos clichês, mas como disse o Luiz Ehlers é a maneira de contar a história que faz a diferença.

Luiz Ehlers comentou em 11/04/2014, às 19:06:

Como eu comentei, acho que o sucesso de Game of Thrones, que quebrou muitos clichês, pode ser um sinalizador de que talvez algumas fórmulas estejam gastas ou precisando de reforma. A temática das histórias vão evoluindo, junto com a sociedade, acho que cabe aos autores entenderem isso. O sucesso de uma história estava inserido em uma época. Ele pode não funcionar mais hoje, por n fatores. Grande abraço, Carlos…

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