Sua revista online sobre Literatura, Cultura e Entretenimento
“"Literatura é a imortalidade da fala."”  (August Schlegel)
RADAR
Ver todas
Publicada/atualizada por Mariana Bassi em 14/08/2011, às 02:41 | 4 comentários
HISTÓRIA, MATÉRIA-PRIMA DA LITERATURA FANTÁSTICA
mesa redonda de ótimo humor

  

Nesta mesa redonda composta pelas figuras de Max Mallmann, Ana Cristina Rodrigues, Christopher Kastensmidt e Roberto Causo rolaram conversas, histórias, dicas e muito bom humor.


Ao se escrever, Max afirmou, há a necessidade de muita pesquisa para embasar a trama, pois mesmo se tratando de alta fantasia (e portanto “criação livre do autor”), é algo ainda calcado em algum período histórico, já que se precisa ter uma base para criação, para que a história faça sentido – se usa elementos iguais aos da realidade, deve-se usar igual por inteiro; se é criação, crie em tudo; a história precisa dessa coerência, tanto para o leitor quanto para o próprio autor.


Como escrever uma história verossímil pressupõe esse – ao menos – mínimo de pesquisa histórica, o material gerado vai sim ser muito maior do que o que será publicado. Faz-se assim o grande desafio dos escritores: a busca por equilibrio, por saber o que tirar e o que selecionar de tudo o que foi documentado – por mais dolorido que possa parecer e até ser. E assim como disse Causo: por que não esse material extra ser trabalhado para ir para algum website do livro?


Sobre a história da humanidade em si, a Ana colocou a curiosidade de como há temas e períodos tão trabalhados como o medieval e outros quase caem no esquecimento – pelo menos de nós ocidentais -, como o caminho da seda. Isso foi ponto de partida para sua pergunta: sobre qual período gostariam de escrever?


Cristopher se adiantou afirmando que gosta bastante de períodos que hajam convergência cultural, pois diz ser muito fácil criar conflitos ali – justamente pela riqueza de elementos presentes.


Vendo a possibilidade, Ana criou um gancho aqui para comentar que, quem gosta de fantasia e de escrever sobre, tem que ler historias (e não só ficção, mas também ensaios, documentos, cartas e relatos), pois o escritor é em parte historiador – de este ou outro mundo paralelo. E por que não citar o exemplo clássico de Tolkien, que assumidamente lia relatos e obras históricas, nas quais se baseia ora explicitamente ora implicitamente em seus próprios livros – conferindo-lhes assim maior riqueza e solidez à trama.


Em seguida Ana emendou um pedido aos companheiros de mesa: citar um historiador que tenham gostado muito.

Max indicou o História da Vida Privada, de Georges Duby, e emendou um comentário sobre seu problema pessoal em pesquisa na internet: a linguagem escrita dos documentos, que sempre vinha em inglês ou latim – línguas que ele não se dá muito bem; Cristopher, por sua vez, disse preferir As Aventuras de Hans Staden (por ser uma historia maluca e real, e por isso muito interessante).


Da parte aberta a perguntas gerais, os tópicos mais interessantes discutidos foram:

O pedido para comparar fantasia histórica com história alternativa, e Ana apontou a grande diferença no nível de apego aos fatos, já que um pressupõe muito mais pesquisa e confirmação de dados que o outro – não que este não precise de pesquisa, mas não é algo tão exigente -, ou seja, no caso da história alternativa, precisa-se encontrar ponto de divergência no mundo normal e manter ele normal mesma com essa alteração até o final da trama.

Ao que Cristopher adicionou a questão do peso das críticas: escritores sofrem muito com isso, principalmente quando lidam com fatos reais, o que acaba configurando um problema, obstáculo mesmo à produção do gênero de história alternativa.


À primeira pergunta de Ana, uma moça da plateia indicou o livro O Queijo e os Vermes, pois segundo ambas, se trata de um magnífico retrato da circulação da leitura na medievalidade, ou seja, como os livros iam parar de mãos em mãos em m período de grande censura a essa atividade e seus materiais. Ana ainda complementa que todos os livros desse autor valem a leitura.



Outro questionamento interessante foi se o período histórico atual, tão afortunado pelas facilidades de busca e disponibilidade de material na internet, não está por isso tendo participação crescente de novos autores. E foi questionado se antes da internet também havia esse interesse. A isso Causo respondeu que práticas especulativas como a da escrita já existem faz tempo. O gênero de fantasia por exemplo, data do início do séc xx. Ele sim concorda com a influência da internet, mas afirma que ainda existem duas coisas mais fortes que ela dentro do mercado de produção e divulgação de livros: o período histórico em geral e as práticas editoriais.
Causo afirmou também que a facilidade do acesso à informação gerou sim uma transformação, uma aproximação da fantasia e da história (gerando o surgimento de vertentes como steampunk). E que o movimento editorial de efervescência dos romances históricos já vem de anos, não de agora, e não só a internet mas também o crescente numero de publicações impressas como revistas sobre historia, vendidas em bancas, influenciam no maior acesso à informação e enriquecimento da produção.


Por fim, Nikelen, que também é historiadora, levantou a questão da pesquisa da magia possível dentro da historia (ou seja, aquela magia que influenciava pessoas porque elas acreditavam que isso existia e surtia efeitos práticos), e em qual ramo ou subgênero isso poderia ser melhor colocado. E Ana respondeu que depende do trabalho, do desenvolvimento. Se há maior foco nos fatos, vai virar ficção histórica, se há maior foco nos elementos mágicos, vira fantasia. Ao que Nikelen adicionou que ela acredita ser apenas uma linha muito fina que separa essas duas vertentes, porque até a magia se torna um fato a partir do dado que pessoas acreditavam nisso e que configuravam todo seu modo de vida e de ver o mundo a partir desse pressuposto.

Foi a vez de Causo se pronunciar, revelando interesse no trabalho com esse tipo de fato, porque explora a raiz, o inicio, o nascer de uma mitologia. E cita uma palestra da USP onde se discutiu a questão do ensino de indígenas e do necessário entendimento sobre seu trabalho com o mundo ficcional, com os sistemas de crença que lhes influenciam o cotidiano, assim como relatos e contos de sonhos influenciando e até por vezes ditando as práticas do dia a dia. E muito interessantemente estabelece uma relação desse tipo de prática com a própria internet e, em um plano mais geral, o nosso sistema de crenças científico ocidental. Fala-se de troca de referente (religião ou ciência por exemplo), e não de diferenças de práticas.


E o papo assim acabou – mais cedo do que esperávamos, mas ainda assim no horário certo -, com a indicação da plateia para o livro Filha de Feiticeira, sobre uma menina cuja avó é presa por bruxaria, e a pequena, a partir disso, começa a se questionar, e nunca consegue decidir se é bruxa ou não, e se pode salvar a vó ou não.


obs: a falta de fotos oficiais se deve à falta de bateria na máquina.

 

 

Comentários (4) | Comente:

Nome:
Email:
Site:
Comentário:

LuizDreamhope comentou em 14/08/2011, às 10:48:

Tirando o Falha Nossa da bateria, eu curti. rsrs Até me interessei por esse último livro mencionado: Filha de Feiticeira.

Nikelen Witter comentou em 15/08/2011, às 19:23:

Excelente mesa redonda. Achei que ainda ficou tanto por falar e conversar sobre o tema. História, magia e literatura são assuntos inesgotáveis. Por conta do tempo, acabei não adicionando uma sugestão de livro de história. O diabo e a Terra de Santa Cruz, da historiadora paulista Laura de Mello e Souza. Obrigatório para se falar de magia no Brasil. Beijos e parabéns aos painelistas. Foi realmente estimulante.

Mariana Bassi comentou em 15/08/2011, às 22:59:

sim, foi ótima mesmo, Nikelen!! (e é incrível como sempre fica algo por falar!)
ah agradecemos a sugestão!! o//
obs: falha nossa na bateria uahuahauhauhauah pois é meooo >..<

Ana comentou em 16/08/2011, às 17:24:

Minha querida, me desculpe, mas essa resenha está um tanto… precária. O texto está pobre (parece que saiu de uma receita de Kumon: passo 1, 2, 3…!), e é bom pelo menos você revisar o português antes de publicar em uma revista, mesmo que seja virtual e despojada de formalidades excessivas… Fica aqui a dica.
O painel foi extremamente fantástico, e não creio que o “humor” tenha sido tão proeminente a ponto de ofuscar tantos assuntos interessantes para ser colocado em destaque no lide da matéria.
É um assunto, aliás, que deveria ser mais discutido no meio da literatura de fantasia… Não entendo porque o estudo da História é tão deixado de lado em eventos oficiais.
O Fantasticon está de parabéns!

Livraria Fantástica | Papo Fantástica | EM FOCO | REPORTAGENS | LANÇAMENTOS | MATÉRIA DE CAPA | RADAR | INDICAÇÕES | Livro Tributo | Espaço Fantástica | Parceiros
72dpis Web Design