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Publicada/atualizada por Luiz Ehlers em 01/07/2012, às 13:56 | 6 comentários
O Nome do Vento de Patrick Rothfuss
Simone apresenta essa história recheada de personagens interessantes.

POR SIMONE O. MARQUES

Como não poderia ser diferente para alguém que resolveu ser escritora, sou uma apaixonada por livros. Amo escrevê-los e amo lê-los. Muitos que frequentam a revista Fantástica devem saber como me sinto quando entro numa livraria. Todas as vezes fico ansiosa e com as mãos coçando… pena que a grana é sempre curta para se dar ao prazer de escolher todos os que me provocaram uma reação curiosa (daquelas que não sossega enquanto você não consegue ter o livro que te provocou aquilo).

Foi assim quando em 2009 descobri O Nome do Vento. Não conhecia o autor, nunca havia lido nenhuma crítica sobre o livro, nem buscado saber. Simplesmente era um total desconhecido para mim.  Fui atraída pelo nome, depois o peguei na prateleira e a conquista veio mesmo quando li a sinopse.

O livro promete não ser maniqueísta e eu, particularmente, adoro personagens dúbios.  E Kvothe ou Kote é um personagem fascinante, não só por suas características físicas, mas por sua inteligência, sagacidade, perspicácia. 

A narrativa de Patrick Rothfuss é muito envolvente e a técnica de apresentá-la em terceira pessoa no tempo presente e em primeira pessoa no passado é magnificamente bem costurada. Eu ficava esperando quando Kvothe começaria a contar sua história ao “cronista” e quando a narrativa voltaria para o presente, para a velha hospedaria e a aldeia sinistra onde ela está inserida.

É interessante também como ele dividiu a saga toda em três dias no presente e em uma história de muitos anos no passado, sem as chatices de flashback. É mais como sentar com um parente contador de histórias num domingo.

O livro constrói uma versão deliciosa da jornada do herói, com elementos mágicos, lendas, fantasia e um toque de realidade que acaba por surpreender.

Na orelha do livro há uma pequena degustação desse caminho e que acho muito atraente: “Já resgatei princesas de reis adormecidos em sepulcros, Incendiei a cidade de Trebon. Passei a noite com Feluriana e saí com minha sanidade e minha vida. Fui expulso da Universidade com menos idade do que a maioria das pessoas consegue ingressar nela. Caminhei à luz da lua por trilhas de que outros temem falar durante o dia. Conversei com deuses, amei mulheres e escrevi canções que fazem os menestréis chorar. Vocês devem ter ouvido falar de mim.”

O melhor é que a aventura de Kvothe vai ainda além dessas proezas, mesmo não se afastando do maniqueísmo como eu imaginava que fosse, afinal há o mal (ou por enquanto acreditamos que sim) na figura do Chandriano, ou naquilo que ele representa, que também dá à história o elemento mítico.

 A relação que Kvothe tem com a música também é fascinante. A arte e magia aparecem como complementares e indissociáveis da própria construção do ser do personagem. São momentos muito emocionantes da narrativa, sem dúvida.

Uma coisa que preciso dizer e sei que muita gente não vai gostar é que, quando eu vi que Kvothe foi para uma escola onde aprenderia magia, pensei: Ahhh lá vem mais uma imitação de Harry Potter! Mas, felizmente, essa apreensão foi sem fundamento. A Universidade que Kvothe frequenta é um universo onde a magia é mais densa, profunda, inteligente e madura, onde está relacionada a conhecimentos, físicos, químicos e alquímicos e não a simples pronúncia de encantamentos.

Antes que me crucifiquem, eu gosto muito de Harry Potter, mas ele é um livro infantil, com personagens rasos e uma história simples. O que não se aplica ao O Nome do Vento. Kvothe arrasaria com Harry num segundo e até mesmo com lorde Voldemort, sem precisar usar de Avada Kedavra.(agora podem proferir as maldições, rsrsrs).

 Enfim… O Nome do Vento me conquistou pela construção dos personagens, pela narrativa e pelo enredo. Há alguns problemas, sim, como o fato do autor não conseguir fugir do maniqueísmo como eu esperava, e o mais grave de todos, a demora para que o segundo livro ( O Temor do Sábio) chegasse ao Brasil (foram dois anos!). E vai saber quando o terceiro e último livro será lançado…

Mesmo assim, experimentem. =)

 

 


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Comentários (6) | Comente:

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Vanessa de Oliveira comentou em 01/07/2012, às 22:13:

Realmente O Nome do Vento impressionou, os personagens são muito bem construídos acompanhados de uma narrativa intensa e corajosa, sobre um homem de duas faces, dois lados. O mundo criado por Patrick, também é impressionante, muito bem trabalhado e dotado de suas próprias crenças e moedas, um verdadeiro clássico.

L.C comentou em 14/07/2012, às 11:48:

O Nome do Vento despertou minha curiosidade pelo título, mas confesso, que ainda sim fiquei meu interesse só despertou muito além do enredo da trama. A dedicatório do autor foi o que me fez levar o livro pra casa. Não me arrependi. Patrick me convenceu do seu talento para orquestrar uma trama de ficção fantástica e devo salientar que o mito criado em torno do protagonista e a música é o grande ponto alto da obra. Recomendo a leitura.

Luiz Ehlers comentou em 14/07/2012, às 15:40:

Gosto do título também e já tenho o livro, embora ainda não tenha lido :(

L.C comentou em 17/07/2012, às 01:36:

Estou lendo O Nome do Vento pela segunda vez…. O Temor do Sábio me aguarda na prateleira… =)

Luiz Dreamhope comentou em 31/07/2012, às 11:02:

Ainda não tenho o livro, mas já me recomendaram um sem número de vezes. Vi uma entrevista com o autor e gostei muito de seus pensamentos. Ainda esse ano irei lê-lo.
Raios! Por que esses livros de Fantasia precisam ser TÃO grandes? =\

Carolina comentou em 04/03/2013, às 17:29:

Li os dois livros, e estou apaixonada por Kvothe. A história é fascinante, e te prende do início ao fim. Fazia tempo que não lia algo tão bom! Aguardando MUITO o terceiro livro!

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