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Publicada/atualizada por Luiz Ehlers em 06/03/2014, às 13:11 | 1 comentário
Fanfics: uma diversão para levar a sério
Luciane Rangel fala sobre fanfics e como isso pode ser um treino como escritor.

Luciane Rangel

O termo já é bastante conhecido. Porém, uma prévia explicação nunca é demais:

Fanfic” vem da junção das palavras fan e fiction. Em resumo, são histórias de ficção criadas por fãs de coisas (seja de livros, filmes, séries, desenhos…) e/ou pessoas que já existem. Há inúmeros sites destinados a isso na internet, onde, com um simples cadastro, qualquer um pode começar a publicar suas histórias e ainda receber o feedback direto dos leitores através de comentários.

Atualmente, nos principais sites de fanfics da web, encontramos todas as categorias que se possa imaginar. Desde títulos de filmes, livros, seriados, animes e mangás, até nomes de atores, jogadores de futebol, cantores e bandas… sim,  pessoas reais, como eu e você, também viram temas de histórias criadas por fãs.

fanfics               Porém, o que começa como uma brincadeira pode resultar em coisa séria, em uma profissão. Foi assim com inúmeros escritores que começaram a praticar a escrita como ficwriters e hoje são autores renomados. Temos exemplos best sellers mundiais, como a norte-americana Cassandra Clare e a britânica E.L. James. Autoras de estilos bem diferentes, que tiveram um início em comum: as fanfics. Cassandra escrevia sobre Harry Potter e E.L. James, sobre saga Crepúsculo. Aliás, o mundialmente famoso “50 tons de Cinza” é nada mais nada menos que uma fanfic publicada, alterando os nomes dos personagens, claro, por questões de direitos autorais. Tal prática é mais comum do que se imagina, como falaremos mais para frente.

Aqui no Brasil, conversei com três jovens autoras que também começaram como ficwriters: a carioca Kel Costa, a gaúcha Josiane Veiga e a cearense Kamile Girão. Kel e Josiane são exemplos de autoras que adaptaram suas fanfics – que tiveram boa recepção na internet – para livros.

The Colt’s Secret era inicialmente uma fanfic de Twilight, chamada The Cullen’s Secret” contou Kel. “Como se tornou minha fanfic mais famosa, decidi adaptá-la para livro.” Tendo publicado seu primeiro trabalho de forma independente, a carioca hoje é contratada da Editora Jangada e, em julho, lançará o seu novo livro “Fortaleza Negra”. E Kel deve boa parte dessa vitória aos fãs conquistados nos anos de ficwriter, que fizeram uma campanha pela publicação do seu segundo título.

Já Josiane Veiga tem uma trilogia publicada de forma independente que começou como fanfic de uma banda japonesa: a Trilogia Jishu (Rendição, Redenção e Remissão). “Começou como uma simples fanfic, sem qualquer ambição de algo maior, e acabou virando o que virou”, conta a autora, que tem outros cinco livros publicados.

Kamile Girão escrevia fanfics de animes como Naruto, Sakura Card Captors, Sailor Moon e Saint Seiya. Não chegou a adaptar nenhuma delas para livros, porém, seus dois livros “Yume” e “Outubro” chegaram a ser publicados virtualmente, como webnovel, ou também conhecida como “fanfic original”. Por mais que o termo seja um tanto contraditório (oras, se é original, como pode ser “fanfic”?), essa é uma das categorias dos sites especializados no gênero. Um espaço onde os ficwriters podem publicar suas histórias 100% suas. Kamile acredita que esse início ajudou em seu crescimento como escritora: “Me ajudou a ser menos envergonhada e a dar a cara à tapa. Foi uma ótima experiência, um ótimo início”.

Com relação a isso, as autoras são unânimes. Todas consideram que as fanfics as ajudaram em suas formações enquanto escritoras. Kel Costa afirma que, para ela, a “brincadeira” sempre foi levada a sério: “Eu sempre considerei uma coisa séria. Antes de começar, eu já gostava de escrever, mas foi ali nas fanfics que eu aprendi mesmo. Aprendi a conhecer meu estilo, o que eu escrevia melhor, que tipo de personagens eu prefiro criar…”. Josiane Veiga ressalta, também, a importância do público que se conquista enquanto ficwriter: “Uma coisa é um desconhecido lançar um livro no Brasil, outra é um autor famoso de uma fanfic. Ora, quem escreve fanfics acaba tendo seus fãs, pessoas que curtem o anime ou a banda para a qual você dedica o trabalho”. Aliás, ambas contaram, também, sobre o carinho que recebem do público que as acompanha desde os tempos de publicações online.  “Meus calos são super presentes, estão sempre por perto e eu ainda posto até hoje para eles”, contou Kel. Josiane também convive com esse carinho diário: “Esses dias eu recebi um email de uma leitora da minha época de ficwriter de animes, que encontrou meus livros na net e comprou simplesmente porque amava minhas fanfics sobre Kagome e Inuyasha.”

fanfics              Porém, adeptos de fanfictions, não pensem que tudo é tão fácil assim: esse é um meio onde poucos se destacam. Geralmente apenas aqueles que têm mais comprometimento com o que fazem. Uma visita rápida aos sites do gênero é o suficiente para encontrar toneladas de textos extremamente mal escritos e transbordando erros de português. Sobre isso, Kel Costa lamenta: “o ruim desse universo é que muita gente que escreve não tem a mínima preocupação com erros de português, ou com criar um enredo plausível o bastante pra ser lido. E isso infelizmente queima o filme de quem escreve com seriedade.”

Vale lembrar que fanfictions são uma ótima forma de treinar a escrita e conquistar público. No entanto, se resolver publicar, é importante que haja uma adaptação para afastá-la o máximo possível do universo fandom de onde ela se originou. Publicar e comercializar obras com enredos e personagens criados por outra pessoa (ou mesmo com pessoas reais) infringe leis de direitos autorais, e isso não é nada legal. Mas, se é só pra publicação online sem fins lucrativos, deixe a imaginação fluir e dê o rumo que deseja aos seus personagens preferidos. É uma “brincadeira” que, se levada a sério, traz um enorme crescimento ao autor.

Escreva e divirta-se!

Conheça um pouco mais das autoras que participaram dessa matéria:

Kamile Girão

Kel Costa

Josiane Veiga

Comentários (1) | Comente:

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Anoruo comentou em 14/05/2014, às 05:35:

Thank you Joonni for providing us a veintng ground for all things FAITH (and more fan girling) It is so good to have a place where I can rave about my favourite series as my other friends/contacts are neither kdrama fans nor do they share some of my more quirky and *special* likes. Simple things like having K and jpop on the stereo while picking someone up can lead to endless teasing and blank looks and that uncanny feeling they’re about this close to call the loony bin for me. It’s frustrating :s So anyone want to contact me on FB please look for Don’t be afraid that most of my time line stuff is in German, all my FAITH/Kdrama postings are in English I have to admit, when FAITH was announced I wouldn’t want to touch it with a ten pole stick. Not only was this a sageuk but it had LMH in it which I found really unnerving and just down right annoying in BOF, that drama was a train wreck. So anything with LMH in it was happily ignored by me .. well till Faith. A friend over on livejournal posted screen caps of the first ep and I simply fell in love with Eun-Soo and Choi Young. That drama has me so obsessed and in its grip, it’s scary. The only dramas that happened to be this important to me were Pride with Kimura Takuya and MARS with Barbie Hsu and Vic Chou.Good thing Faith also redeemed me with LMH and I have already watched City Hunter and Personal Taste to bridge the gap between eps. Oh and I also now love sageuks if they are fusion and not too long (I adore Queen InHyeon’s Man).

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