A Festa Literária Internacional de Paraty acontece todo ano, com importante convidados do cenário literário mundial, e este ano teve sua 10ª edição entre os dias 04 e 08 de julho.
Tive o prazer de participar.
Em primeiro lugar, aconselho que, para quem quiser ir, fique de olho em quando abrirem as compras. Os ingressos para a tenda dos autores acabam em questão de poucos minutos.
Comprei oito ingressos para tenda telão, e assisti outras mesas do lado de fora mesmo. O Itaú, que é patrocinador do evento, fornece uns banquinhos de papelão que são ótimos. Longe de tentar fazer propaganda, mas é o adereço mais útil que uma pessoa poderia querer quando fica o dia inteiro em função das mesas da FLIP.
Paraty estava de bom humor, com um céu azul de fazer inveja. O tempo só mudou domingo, e ficou tudo meio cinzento, mas nada a que uma boa paulista não esteja acostumada.
Na quarta-feira não consegui assistir à mesa de abertura com o Veríssimo (é, eu também lamento), mas fui ao show do Lenine, do lado de fora, porque também foi uma daquelas vendas de ingresso que fizeram as entradas evaporarem em poucas horas. Mas foi maravilhoso mesmo assim. Prestando atenção nas letras do Lenine, fica muito nítido porque ele fez o show do abertura da FLIP.
Como esta matéria com todo o seu conteúdo original somou cerca de 15 páginas, resumimos o conteúdo geral das mesas, e faremos um especial sobre a FLIP 2012, contando um pouco mais detalhadamente sobre foi cada uma das mesas de que participei. Uma mesa por matéria, então não deixe de nos acompanhar.
A Mesa 1 – Escritas da Finitude, teve a participação de três brasileiros: Altair Martins, André de Leones e Carlos de Brito e Mello. O tema de discussão nesta mesa foi a morte. Mais precisamente, a morte e a literatura, ou a utilização da morte como temática literária. Os três autores versam sobre o tema em suas obras, e tem pontos de vista interessantíssimos, que podem ser resumidos da seguinte forma: “a morte é literatura”, conforme disse Altair Martins.
Assisti também a uma mesa que aconteceu na Casa de Cultura (mas também assisti pelo telão), em que foram unidos o autor de novelas Walcyr Carrasco e o escritor João Ubaldo Ribeiro para falar dos 100 anos de Jorge Amado, mesa mediada por Edney Silvestre. “É impossível entender o Brasil sem Jorge Amado”, segundo disse Edney. João Ubaldo Ribeiro, que foi grande amigo de Jorge Amado, resumiu muito bem a contribuição do escritor para a cultura brasileira: foi Jorge Amado quem trouxe o negro para a literatura brasileira. Antes dele, o negro não existia como personagem protagonista. Com isso, segundo Ubaldo, Jorge Amado trouxe corpo espiritual às populações africanas, que até então não tinham um personagem em que se espelhar.
Nesta mesa ainda discutiu-se sobre as adaptações de Walcyr Carrasco em “Gabriela”, que teve diversas alterações da obra original. Os detalhes dela discussão serão esmiuçados no especial FLIP 2012 da FANTÁSTICA.
O tema da Mesa 2 versava “Apenas Literatura”, e pareceu muito vago. Afinal, estávamos num evento literário. Os convidados da mesa, Enrique Villa-Matas e Alejandro Zambra, falaram principalmente das obras que estariam lançando durante o evento, Ar de Dylan e Bonsai, respectivamente.
A Mesa 3, de tema “Ficção e História”, trouxe dois autores hispânicos: Javier Cercas e Juan Gabriel Vásquez. Ambos falaram do trabalho de pesquisa, e que a ficção pode dar uma interpretação própria dos fatos históricos, não necessariamente prendendo-se neles, mas usando-os como referência. Segundo Vásquez, existe a verdade dos historiadores e a verdade da literatura, que podem ser um pouco diferentes, na medida em que a literatura explora possibilidade do que poderia ter acontecido se alguma coisa no curso dos fatos tivesse sido diferente, por exemplo.
Depois desta só assisti à Mesa 8, sobre Literatura e Liberdade. Foi interessantíssima, com a participação do escritor sírio Adonis e o libanês Amin Maalouf. Ambos de países árabes, ambos residentes em Paris, debateram em francês. Como não poderia deixar de ser, foi uma mesa com algumas polêmicas, desde as influências árabes pré-islâmicas (nenhum dos dois é muçulmano), a cultura atual do mundo árabe, a política externa americana, que fizeram questão de abordar. Vale ressaltar uma opinião de Adonis quando lhe foi perguntado sobre Obama, porque esta rendeu diversos comentários e suposições, sobre o que ele queria dizer e o que de fato disse: “Obama é uma máscara negra num rosto branco”.
A mesa seguinte, a primeira de sábado, a que assisti foi a Mesa 10, e foi considerada, pela grande maioria dos participantes, pelo que se podia apreender dos comentários gerais, a melhor mesa de toda a FLIP 2012. Trazendo como convidados o jornalista e escritor fluminense Roberto DaMatta e o escritor indiano Suketu Mehta, o tema era “Cidade e Democracia”. O discurso de Mehta sempre calmo, falando de suas experiências entre Bombaim (hoje Mumbai) e Nova York, e o quanto se sentiu estrangeiro em sua própria terra ao retornar a Bombaim depois de viver por anos em Nova York. Aliás, é este o tema do livro Bombaim, lançado no Brasil na FLIP. Foi aplaudido algumas vezes pela inteligência e conexão de suas ideias, e é impressionante o quanto temos em comum com o que falou. Já DaMatta tinha um discurso entre sarcástico e inflamado, dependendo do tema abordado. Foi aplaudido tantas vezes, que em alguns momentos teve de pedir ao público para espera-lo concluir o pensamento. Seria difícil resumir o conteúdo desta mesa em um parágrafo, especialmente tratando de tema tão rico. A matéria especial desta será enorme.
Não assisti à mesa seguinte, com duas estrelas: o inglês Ian McEwan, cujo lançamento mundial aconteceu na FLIP (na Inglaterra, seu país natal, o livro só sai em agosto), e com a ganhadora do Pulitcer de ficção, Jennifer Egan, por A Visita Cruel do Tempo (GENIAL, aliás, eu vou soltar uma resenha dele em algum lugar). O lançamento dela na FLIP era o livro O Torreão. E por que não assisti à palestra? Porque inaugurei a fila de autógrafos uma hora antes. E valeu a pena, consegui fotos lindinhas com os dois, coisa que mais ninguém conseguiu, porque a fila estava dando voltas e saindo da Tenda de Autógrafos.
Infelizmente eu havia esquecido de almoçar, e, com o calor e o sufocamento de uma fila enorme, de uma hora e meia de duração, minha pressão caiu e voltei para a casa onde estava pelo resto da tarde, o que significa que perdi todo o resto do sábado de mesas (mas li A Visita Cruel do Tempo de cabo a rabo).
Eu ia assistir à mesa 17 “Drummond, o Poeta Presente”, mas estava acadêmica além de um nível de interesse. E eu sou fã de Drummond.
Resumo das impressões gerais: ano que vem não só estarei lá, como vou abrir a fila de vendas de ingressos na Tenda dos Autores.
Comente:Boa matéria! Você está de parabéns. Abraços – Leon Nunes, Escritor
Todos os anos repito para mim mesma “esse ano eu vou pra Flip” e nunca consigo ir =/
Adorei sua matéria Carol, espero pelas próximas mesas.
Vou prestar atenção pra quando abrirem as vendas pras mesas do ano que vem, e vejo se rola de cometer a loucura de comprar hahahaha
beijos