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Publicada/atualizada por Luiz Ehlers em 28/04/2013, às 21:02 | 2 comentários
A II Odisseia de Literatura Fantástica
Confira a 2a edição do evento que reuniu autores, editores e leitores na capital gaúcha.

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Nos dias 12 e 13  de abril, aconteceu em Porto Alegre a segunda edição da Odisseia de Literatura Fantástica. O evento nasceu da ideia dos autores e editores Duda Falcão, Cesar Alcázar e Christopher Kastensmidt.  A premissas dos criadores foi  a concepção de um espaço de exposição e discussão focado em literatura fantástica fora do eixo Rio de Janeiro-São Paulo.

O evento reúne autores, leitores e fãs de literatura em geral. Além de mesas redondas sobre diversos temas, a Odisseia de Literatura Fantástica também conta com um espaço dedicado a venda de livros, que são, em sua grande maioria, de autores nacionais.

O sucesso de público e também de vendas no primeiro ano garantiram a segunda edição. Em 2013, a Odisseia contou com o incremento de dois organizadores: os autores Nikelen Witter (Territórios Invisíveis) e Christian David (O Rei e o Camaleão).

A segunda edição ganhou ainda um dia extra, que foi dedicado às escolas e discussões ligadas à literatura juvenil. Outras novidades também surgiram como uma oficina de RPG ministrada pela editora Jambô e também um espaço de leitura de obras de autores ao público, além de exposições do universo fantástico.

A edição de 2013 atraiu, nos dois dias de evento,  em torno de 1.000 pessoas e soma nos dois eventos o número em torno de 800 livros comercializados. A FANTÁSTICA esteve lá e trouxemos um breve relato sobre o que aconteceu no evento.

 

O DIA DAS ESCOLAS

(por A. Z. Cordenonsi)

drwhoO primeiro dia da Odisseia de Literatura Fantástica foi marcada por uma novidade bem sacada e muito importante do Christian David: a participação das crianças em contato com os autores. Mais do que vender livros ou divulgar seus trabalhos, a inserção dos jovens alunos das escolas de Porto Alegre teve um nobre e importantíssimo objetivo: a formação de novos leitores. Uma criança que lê será um adulto mais inteligente e antenado com o mundo que o cerca. O gosto da leitura se adquire de pequeno e deve ser incentivado o quanto antes.

Infelizmente, a sexta-feira foi marcada pela chuva que desabou em Porto Alegre com a força de uma manada de brontossauros. Algumas escolas acabaram cancelando, pois, pela proximidade das mesmas em relação ao memorial, as professoras haviam planejado o deslocamento a pé, o que se tornou impossível no meio da chuvarada. Eu estive no Memorial pela parte da tarde; com o tempo mais firme, a presença de público foi muito boa. A todo o momento, grupos de crianças eram vistas andando de um lado para o outro, em grupos ou sozinhas, perambulando pelos estandes das editoras e se deleitando com os colecionáveis montados pelos grupos de fãs que foram até o evento.

Tive a oportunidade de acompanhar o bate-papo da escritora Celly Borges, que conversou com duas turmas da Escola Barão Vermelho. Como a logística para a participação dos autores envolvia o envio de exemplares da obra com antecedência, os pequenos já conheciam de antemão a obra da autora e a conversa entre eles se transformou rapidamente num bate-papo sobre literatura e como alguém escreve um livro. Aliás, isso foi um dos temas recorrentes nas diversas salas: as crianças têm verdadeira curiosidade sobre de onde surgem as ideias para a composição de uma obra. Talvez a nossa escola atual não estimule devidamente a criatividade infantil, berço de boa parte de nossas realizações futuras.

À noite, a palestra de abertura com a Dra. Regina Zilberman, da Universidade Federal  do Rio Grande do Sul, foi um dos pontos altos do evento. Catedrática do curso de Letras, ela afirmou que a academia está passando por um período de transformação e que se o gênero fantástico quer ser respeitado pela mesma, deve trazer a academia para o seu lado. Paulatinamente, grupos e pesquisadores estão se abrindo para o gênero; para ela, o próprio crescimento do interesse do público por este tipo de literatura forçara a academia a aceitá-la. Por fim, ela discorreu sobre a trilogia “Fronteiras do Universo”, de Phillip Pullman, como exemplo de um livro de gênero de sucesso, descrevendo características da obra que ela considerou pertinentes a qualquer romancista.

 

organizadores

 

 

UM SÁBADO FANTÁSTICO

O segundo dia da Odisseia foi marcado por várias mesas redondas que reuniram inúmeros profissionais da área de vários estados do Brasil. Os temas desse ano foram mais abrangentes e passaram por Quadrinhos, Eventos literários, Mulheres na literatura, Best Sellers e até mesmo os fascinantes e assustadores Zumbis, que estão em tantas mídias atualmente. Alguns pontos discutidos em algumas palestras foram:

Mesa-redonda: O jardim do vizinho é mais verdinho?(Edgard Refinetti, Gabriela Nascimento, Flávio Medeiros Jr e Jacques Barcia)

Única comparação que pode ser feita entre mercado literário brasileiro e internacional é em termos de maturidade de mercado e não de qualidade de autores

E lá fora estão já saturados de si (de suas próprias produções e temas), e buscam estrangeiros

Problema/barreira para a expansão do nacional lá fora: tradução. Boa tradução, bons tradutores. Ideal: autores traduzirem as próprias histórias (p/ minimizar perda de significado)

No mercado norte americano não é muito popular os autores que inventam histórias complexas, ou seja, a tradição do storytelling (forma de roteiro pré-concebida que reina nas produções de Hollywood) é muito enraizada nos EUA

 

Mesa-redonda: Eventos Fantásticos (Duda Falcão, Sílvio Alexandre, Márcio Sironi e Émerson Vasconcelos)

Pra fazer eventos tem que ser louco. Assim como se é louco (de uma forma sadia) quando se lê, se joga, se vai no cinema etc

O evento literários é um agregador de conhecimento, contatos e proximidade.

 

Mesa-redonda: Space Opera Brasileira (Roberto de Sousa Causo, Mustafá Ali Kanso, Hugo Vera e Larissa Caruso)


Grandes histórias são como grandes amigos que devem ser revisitados; por isso os clichês são necessários, pois mexem com a fantasia, a imaginação, a nostalgia das primeiras histórias vistas, ouvidas e lidas – e assim ajudam a manter viva sua criança interior.

Mesa-redonda: Foco editorial: Giz (Simone Mateus, Georgette Silen, Giulia Moon e Walter Tierno)

Literatura – escrever um livro – é como trabalho de formiga: trabalha-se muito para colher os frutos aos poucos; sendo que esses frutos podem vir só um tempo depois do primeiro lançamento (um, dois, três e até cinco ou dez anos depois).

 

Odisseia fotos2O evento também trouxe espaços diferenciados focados em fantasia em geral. Foi exibida uma vasta e sortida coleção de objetos ligados à saudosa série Harry Potter dos Herdeiros de Sunserina.  A série fantástica de sucesso Game of Thrones também ganhou seu espaço no evento. Cards, livros, dragões e até uma cabeça cortada estavam entre os ítens exibidos no espaço chamado Dracarys. Havia também um espaço dedicado a conceituada série britânica Doctor Who, com direito a uma réplica idêntica da cabine (Whovians-RS).

Os internautas literários tiveram também seu lugar no Encontro de Blogueiros, que permitiu trocas de experiências e discussões sobre o futuro desses tão presentes elos na cadeia literária.

O espaço para leituras de obras foi também uma novidade paralela às mesas redondas dessa segunda edição. Vários autores nacionais puderam apresentar ao público trechos de suas obras narradas com o tom de seus criadores.

A editora Jambô, que é especializada em revistas, livros e produtos fantásticos em geral, organizou uma oficina de RPG (Role Playing Game), que é uma fonte de inspiração para tantas histórias e uma prática de jogo bastante conhecida em todo o mundo. A criação e o fantástico andam lado a lado nas noites viradas que os fãs passam jogando RPG. Muitas histórias fantásticas de sucesso começaram dessa forma.

O evento ainda contou com espaço para autógrafos, venda de camisetas e um vasto espaço para exposição e comercialização de trabalhos de autores nacionais. A parte dedicada a essas vendas é um dos pontos fortes do evento. O evento, em suas duas edições, concede gratuitamente o espaço de comercialização e exposição de títulos da literatura fantástica nacional, exposição essa que é sempre importante e complicada nessa meio. E como uma “mini feira do livro”, os visitantes ainda correm o risco de deixarem o evento com sua cópia autografada.

participantes

Os números e o prestígio do evento são ambos crescentes. A importância desse tipo de encontro é primordial tanto para o mercado literário nacional, quanto para o público em geral. O sucesso da Odisseia de Literatura Fantástica anima a todos para próximas edições e também com um futuro onde as pessoas lerão mais e mais e, assim, possam não apenas viajar a mundos fantásticas, mas entender e respeitar o mundo real. Que venha a III Odisseia de Literatura Fantástica!

2a ODISSEIA DE LITERATURA FANTÁSTICA – UMA VISÃO GERAL DO EVENTO

 

2a ODISSEIA DE LITERATURA FANTÁSTICA – SLIDESHOW

Comentários (2) | Comente:

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Leon Nunes comentou em 25/05/2013, às 22:17:

Literalmente Fantástico, com o perdão da redundância. Enorme prazer em ter participado deste dia.

Tuong comentou em 14/05/2014, às 13:34:

Tadinho do Joe3o, eu ia fazer igual, hoje em dia estou mais escaldada, mas juro que ate9 pouquedssimo tempo qaluquer arranhe3o, por menor que fosse, na pele do meu amadinho me partia o corae7e3o em zilhones de pedae7os, hoje sofro de olhar quando e9 coisa pesada, e quando o David se feriu no rosto toda vez que se olhava no espelho ficava triste e falava: tf4 dodf3i coloca bandaid do carros? rs rs com essa cara linda, ate9 todo ralado ele fica lindo! que deledcia de encontro, pena que vou pra Madrid rs bjs

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